Sábado, Maio 15, 2010

Sábado

 
Descansar é muito mais do que interromper a luta constante pelo pão nosso de cada dia.
Descansar é se dar conta de que mesmo quando a alma está estraçalhada em pedaços por causa dos atos medíocres que evitamos evitar, o tempo e a poeira que embaça nossa consciência não vão suprimir nosso maior sonho, a liberdade.
E não louvamos a liberdade cansada, vulgarmente chamada de preguiça. Talvez algum de nós até o faça. Mas um dia certamente se verá lutando contra si mesmo em busca de uma paz que seus punhos não podem alcançar.

Descansar é muito mais do que restaurar as energias de um corpo exaurido em trabalhos mal remunerados, estudos intermináveis e relacionamentos sem sentido.
Descansar é perceber, quase intuitivamente, que o profeta estava certo quando fez prevalecer a calmaria diante da tempestade.
O mundo transpira sangue, suor e lágrimas, em sua busca frenética por um progresso que nunca chega. E curiosamente, sombra e água fresca estão disponíveis para aqueles que menos se preocupam com isso.

Descansar é muito mais do que deitar e dormir por horas a fio para esquecer a violência e o sofrimento que certamente virão na manhã seguinte.
Descansar é entender que mesmo quando no vale da sombra da morte, o auxílio virá dos Céus e absolutamente nada poderá subverter nosso direito à eternidade.
Mesmo que o mundo transforme em loucura o desejo natural de contemplar as grandes preciosidades da vida em um dia que temos como santo, a benção mais genuína estará sempre no descanso.

Descansar é muito mais do que reforçar opiniões já cristalizadas em um conforto social aparente.
Descansar é experimentar a transformação pela renovação da nossa mente, nos deleitando com a boa, agradável e perfeita vontade de um Deus que existe e nos salva.
E assim sendo, tomaremos sobre nós o jugo dAquele que é manso e humilde de coração e alcançaremos plenitude e verdadeira paz para nossas almas.

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