Pensamentos perdidos na escuridão da identidade.
O homem que encaro no espelho está atônito, diferente.
A sensação é estranha, depressiva, mas realidade.
Acusado de esconder quem sou no silêncio.
Vejo minha ausência incomodar os que me amam.
A porta de entrada está fechada. Caminho cego, tenso.
Minha casa é a nulidade, quanto a eles? Reclamam.
Habituado estou à minha anti-naturalidade.
Observo as reações e tento prever o jeito certo de agir.
Desequilíbrio constante. Latente vulnerabilidade.
Fazer? Não sei. Chorar? Inútil. Vontade? Fugir.
Imagino quem sou, mas desconheço o meu eu em você.
Não me importo em ser o que quer que seja e não sei viver.
Calo-me diante de tudo para descobrir quem sou em você.
E então você me mostra um eu que não sei ser.
Conhecer outras maneiras de me ver? Sonho utópico.
Confiança ineficaz nas palavras de um alguém distante.
Frustração, insegurança, desespero e medo sórdido.
Alma cansada, diante de um horizonte brilhante.
Reflito sobre cada conselho solidário a mim dirigido.
Pondero as afirmações e racionalizo minha própria sorte.
Derrotado por um temperamento esquisito, fingido.
Inevitavelmente e sem forças, revivo meu ciclo de morte.

























